segunda-feira, 4 de abril de 2011

Buenos Aires

Por uns instantes os bons ares me fizeram mal,
e agora tudo está do avesso e nada de viver em paz.
Rodopiando sobre próprio eixo, em busca de um caminho novo,
flagro as lembranças saltando de agora há pouco
há alguns poucos segundos, bem curtos, atrás,
antes de tudo desmoronar com o vento
quando todo sofrimento era o bolso vazio
E no instante em que tudo parecia se encaixar
Desaba o telhado e assalta-me o frio,
Palavras doces já não são escudos
Tampouco alívio pra viver excluso
Excomungado pelas próprias lembranças
Sentindo falta de uma criança
De brincadeiras de finais felizes
Besteiras que não contam a quem diz
É tudo uma questão de sono e de esperar uma nova manhã
O sol continuará nascendo, sempre no mesmo lugar
E os bons ares quem sabe um dia tenham compaixão
E me soprem uma sorte melhor.

terça-feira, 8 de março de 2011

Cinzas - Pois tudo tem um final, até mesmo o que nunca teve começo

E que tudo mais vá pro inferno!
As cinzas do carnaval adentraram o pulmão dos últimos cisnes,
agora o coração chora por cada pedaço seu trincado e os céus se tornam sangue
parte de uma inconstante história sem fim.
Agora tudo tem seu ponto final anunciado,
com ares de termo de relação de pré-contrato.
Agora se consome a última centelha de esperança
e até a dor é ausente e se torna indiferente ao som dos mesmos passos de dança.
Agora o passado emerge da cortina empoeirada,
agarra o presente e arremeça-o no futuro, em cheio como uma pedrada
que faz sangria nas cansadas pernas e braços do tempo.
Agora já não existe mais. Agora nunca existiu.
Raphael Pardini Garci 09/03/2011 - 02:22

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dique Vigarista e as andanças pelos planetas aquáticos

"Há um dique e um povoado, e também água abundante, mas não há respostas
Há respostas que não precisam ser dadas, ou não deveriam
Há palavras que não deveriam ser ditas, mas o fazem
Há tristezas que não deveriam ser represadas, mas o são
Há trincas no velho dique, mas ele resiste firme
Há tempestades violentas, mas ele aguenta
Há uma passagem de tempo, e sem mais nem menos, ele não suporta
Há um vazamento no velho dique, mas a vila se tranquiliza
Há um velho dique desmoronando, o povoado não entende
Há um povoado desorientado, e um dique que já não se sustenta
Há pessoas morrendo afogadas, há um dique desconsolado
Há de tudo, mas não há o necessário
Há de tudo, mas não há nada do indispensável
Há de tudo, há ruínas de homens de pedras dilacerados pelos ciclones
Há de tudo, há o ruim no vazio que transforma o todo quando o corrompe
Logo não há de nada, não há de quê
Há o velho dique que partiu sem ninguém perceber."

Raphael Pardini Garcia - 07/02/2011

domingo, 6 de março de 2011

A última pétala

"A última pétala caiu
no silêncio do último suspiro
já é tarde, ela partiu
agora guardo-me comigo
visita-me a solidão
invasora que me desatina
violenta, sem prestar satisfação
me asfixia com seu manto de melancolia
então me entrego, então eu morro
para conseguir no outro dia
aprender e começar de novo
viver sem essa agonia(...)"
Raphael Pardini Garcia - meados de 2000

Desabafo SP - 28/02/2011

"São Paulo, cada vez te suporto menos. Seu brilhantismo e gigantismo ainda me acalanta, mais me espanta. Seu desassossego mastiga o sereno de uma convivência humana e digna. Tua natureza cada vez mais morta, seu ar já não se respira. Tua astúcia incontável de fazer de um espetáculo da Mãe Terra o caos que desabriga e desola a todos, menos quem te governa. São Paulo, eu ainda te amo, mas já te odeio. E te suporto cada vez menos, cada vez menos, cada mês menos." Raphael Pardini Garcia - Desabafo SP - 28/02/2011

São Paulo da garoa. Ah, a garoa... Essa novidade de cada início de ano! (registro feito durante tempestade da temporada 2009/2010, na rua Pedro Vicente, São Paulo - SP)