terça-feira, 8 de março de 2011

Cinzas - Pois tudo tem um final, até mesmo o que nunca teve começo

E que tudo mais vá pro inferno!
As cinzas do carnaval adentraram o pulmão dos últimos cisnes,
agora o coração chora por cada pedaço seu trincado e os céus se tornam sangue
parte de uma inconstante história sem fim.
Agora tudo tem seu ponto final anunciado,
com ares de termo de relação de pré-contrato.
Agora se consome a última centelha de esperança
e até a dor é ausente e se torna indiferente ao som dos mesmos passos de dança.
Agora o passado emerge da cortina empoeirada,
agarra o presente e arremeça-o no futuro, em cheio como uma pedrada
que faz sangria nas cansadas pernas e braços do tempo.
Agora já não existe mais. Agora nunca existiu.
Raphael Pardini Garci 09/03/2011 - 02:22

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dique Vigarista e as andanças pelos planetas aquáticos

"Há um dique e um povoado, e também água abundante, mas não há respostas
Há respostas que não precisam ser dadas, ou não deveriam
Há palavras que não deveriam ser ditas, mas o fazem
Há tristezas que não deveriam ser represadas, mas o são
Há trincas no velho dique, mas ele resiste firme
Há tempestades violentas, mas ele aguenta
Há uma passagem de tempo, e sem mais nem menos, ele não suporta
Há um vazamento no velho dique, mas a vila se tranquiliza
Há um velho dique desmoronando, o povoado não entende
Há um povoado desorientado, e um dique que já não se sustenta
Há pessoas morrendo afogadas, há um dique desconsolado
Há de tudo, mas não há o necessário
Há de tudo, mas não há nada do indispensável
Há de tudo, há ruínas de homens de pedras dilacerados pelos ciclones
Há de tudo, há o ruim no vazio que transforma o todo quando o corrompe
Logo não há de nada, não há de quê
Há o velho dique que partiu sem ninguém perceber."

Raphael Pardini Garcia - 07/02/2011

domingo, 6 de março de 2011

A última pétala

"A última pétala caiu
no silêncio do último suspiro
já é tarde, ela partiu
agora guardo-me comigo
visita-me a solidão
invasora que me desatina
violenta, sem prestar satisfação
me asfixia com seu manto de melancolia
então me entrego, então eu morro
para conseguir no outro dia
aprender e começar de novo
viver sem essa agonia(...)"
Raphael Pardini Garcia - meados de 2000

Desabafo SP - 28/02/2011

"São Paulo, cada vez te suporto menos. Seu brilhantismo e gigantismo ainda me acalanta, mais me espanta. Seu desassossego mastiga o sereno de uma convivência humana e digna. Tua natureza cada vez mais morta, seu ar já não se respira. Tua astúcia incontável de fazer de um espetáculo da Mãe Terra o caos que desabriga e desola a todos, menos quem te governa. São Paulo, eu ainda te amo, mas já te odeio. E te suporto cada vez menos, cada vez menos, cada mês menos." Raphael Pardini Garcia - Desabafo SP - 28/02/2011

São Paulo da garoa. Ah, a garoa... Essa novidade de cada início de ano! (registro feito durante tempestade da temporada 2009/2010, na rua Pedro Vicente, São Paulo - SP)